Romeiros

Vista sob a perspectiva da temática da “purificação de grupo”, que nos cultos ancestrais próprios do Equinócio de Primavera tinha em vista a sacralização do período das sementeiras, esta Romaria de Penitência (com o cariz de sacrifício corporal) alcança grande relevo na Ilha de S. Miguel, sendo muito elucidativa da força e persistência destas “memórias”.


Fotos João Vasconcelos
Grupos formam-se espontaneamente com a intenção de percorrerem o perímetro da Ilha, em jornadas que levam cerca de uma semana, visitando todos os templos dedicados à Virgem Maria e que têm lugar durante o período quaresmal.


Perímetro da Ilha de S. Miguel, usualmente percorrido pela peregrinação
Um ritual próprio, servido por indumentária, gestual e litanias foi entretanto sendo criado, tendo-se iniciado sob o pretexto das crises sísmicas de 1522 e 1563.


Romeiros em tempos de percurso e pausa (fotos Isaac Ferreira)
Xaile, lenço, sacola, bordão e terços são a parafernália comum. Orações específicas alternam com a récita do terço. O “Mestre” gere a actuação do grupo, os tempos de oração, de marcha, de repouso, etc., estabelecendo os contactos com as paróquias a serem visitadas.


Fotos Isaac Ferreira


Fotos L.F.Santos
Em pleno século XXI, os Romeiros continuam a sua acção de penitência, alimentados por um propósito que não encontra explicação fácil na sociedade materialista da época. As suas razões (como tantas outras das tradições populares) estarão a ser alimentadas por memórias já inacessíveis ao domínio racional.