Angra do século XVI, no Mapa de Linschoten


Jan Huygen van Linschoten (1563-1610), um Holandês nascido numa família de classe média, com boa educação, embora não universitária, viveu na cidade portuária de Enkhuizen, Haarlem, de onde viajou frequentemente, mantendo-se em contacto com gente importante. Conseguiu entrar ao serviço do Arcebispo Português de Goa, Índia, onde passa cinco anos, entre 1583 and 1588. No seu regresso à Holanda, edita a Historia das suas viagens, importante pela inclusão de mapas de fonte Portuguesa, naquele tempo de difícil acesso aos Holandeses ou a quaisquer cartógrafos. Na viagem de retorno, uma tempestade afunda-lhe a embarcação em Angra, onde fica a guardar as mercadorias durante dois anos e meio, aproveitando para estudar a Ilha e as suas gentes. Sendo um bom observador, produziu documentação importante para a História da Terceira, durante este tempo, publicando em 1596 o ITINERARIO.
Consta de 4 partes, 12 mapas: texto em Holandês: Amesterdão (publicado por Cornelis Claesz) 1598, (Texto em Inglês), 1599 (em Latin), 1605, 1614, 1623, 1644 (de novo em Holandês), 1610, 1619, 1638 (em Francês) Re-publicado com 15 mapas.

O mapa de Angra é parte desta colecção.
Com base nas descrições, iconográficas e literárias, que Linschoten produziu sobre as funções desempenhadas pela Baía de Angra, no Projecto das Descobertas Portuguesas, percebe-se o porquê da sua classificação como Património da Humanidade.
Numa época em que o Mar era um mistério povoado de monstros e a linha do horizonte um precipício onde este se escoava, em que se pensava ser a Terra plana e o Sol girar à sua volta, em pleno século XV, montaram os Portugueses um sistema de apoio à navegação, no coração do Atlântico Norte.
A Baía de Angra estava preparada para fornecer todos os serviços necessários.

No estaleiro da Prainha reparavam-se as embarcações.
No Hospital da Misericórdia tratavam-se os doentes.
A casa da Alfândega controlava as cargas e impostos.
As ‘Bicas’ forneciam água para a aguada.
Finalmente pelo Porto das Pipas eram abastecidas as tripulações de víveres e outros bens.

O Castelo de S. Sebastião protegia a Baía de inimigos.