Descobertas e medos

A história das descobertas está ligada à Ilha Terceira. A elevada reputação da Ilha foi devida à protecção oferecida pela sua baía natural, onde foram instalados serviços de apoio à navegação. Mas para além desta importância material, a Ilha representava uma defesa psicológica contra o “mal” percebido como existindo no Oceano, e materializado em “monstros”.

Esta fotografia (atribuída ao Peter´s, Faial) tornou-se famosa por expressar a crença de que “escondidos” no mar, estariam estranhas criaturas, desconhecidas mas então imaginadas. No fim do horizonte o mar era engolido por um abismo.


Desenhos de antigos portulanos

O temor de encontrar estas criaturas era terrível. A crença numa luta inglória com elas manteve o Oceano Atlântico libré de uma navegação consistente, excepto quanto a raros e lendários episódios, até à concretização do Projecto Português das Descobertas. Neste contexto, a cidade e Baía de Angra desempenharam um papel decisivo, por oferecerem vários apoios e protecção. Com uma baia protegida dos ventos predominantes, graças ao Monte Brasil, um antigo vulcão, também responsável pela profundidade do mar nessa baía, Angra foi capaz de receber grandes embarcações. Um ponto a salvo, no meio do Atlântico, deu ao Projecto das Descobertas a capacidade de combater os monstros do Oceano.