Solstício de Verão

Com início a 1 de Maio, o período que integra o Solstício de Verão (22 de Junho) é dominado, mais do que qualquer um dos outros, pela natureza ancestral que caracteriza as Festividades Indo-Europeias.



Maios na Terceira
O culto do Sol, no dia em que este permanece durante mais tempo sobre a linha do horizonte, caracteriza-se pelo seu reconhecimento como energizante da vegetação. A sua simbologia principal é representada tanto pela roda (Sol) como pela árvore.


“Dança dos Camponeses”, Real Museu das Belas Artes, Bruxelas; “Peregrinação ao Cedro do Líbano” Galeria Nacional da Hungria, Budapeste
O homem que se une ao elemento vegetal para dele auferir a vida, “Jack the Green”, aparece representado no catolicismo por S. João Baptista.


Representação na Irlanda e antiga imagem do Santo, do Museu de Angra
Nascido no Solstício de Verão (em contraste com Cristo que nasce no Solstício de Inverno), ele representa também um arquétipo notável do Espírito da Vegetação.


As suas Festas (Juninas ou Sanjoaninas) distintas das Festas das colheitas (destinadas a capturar o Espírito), cruzam-se com os rituais que atravessam o Solstício de Verão, a 21 de Junho e simbologias próprias. O Espírito da Vegetação (EV) é celebrado através da sua incorporação em ‘Reis’ ou ‘Rainhas’ eleitos seus representantes. Em Cortejos, distribuem as suas bênçãos pelos povoados, transferindo-se assim a área de acção do EV, da floresta para a cidade.


(Foto Bárbara Irwin)


Um arco de bênção, na Serreta; “May Day Garlands” Thomas Falcon Marshall, 1860
A junção de sentidos das celebrações em honra do Espírito da Vegetação, resultam numa simbólica que se traduz em rodas, música, dança, provas de destreza física (para definir os mais fortes/aptos), enquanto que ramos de vegetação são ritualmente transportados, em forma de festões, para guarnecerem as portas e janelas, protegendo a casa contra malefícios.


Uma “Peasant Dance”, Rubens
Após as colheitas, o EV é capturado nos últimos feixes de espigas, que são depois preparados como alimento cerimonial (guardadas do ano anterior), em pães e papas grossas, e distribuídos em refeições colectivas.


Também o EV pode ser representado na forma de um animal, por exemplo, o bezerro, que depois de ritualmente enfeitado, é levado à volta do campo, congregando todas as manifestações do espírito, para depois ser morto ritualmente e comido em refeição cerimonial, na ‘sopa das colheitas’.

O Culto do Sol inclui paradoxos ainda pouco compreendidos, como sejam o facto de a maior parte dos seus rituais só se realizar à noite, ou ainda as magias lunares e aquáticas a ele ligadas, que incluem adivinhações quanto ao futuro.

Rituais representativos desta mitologia:
Festas do Espírito Santo, em todas as Ilhas
Festa da Caldeira (Faial)
Festa no Ilhéu da Madalena e dos Baleeiros (Pico)
Festas Sanjoaninas de Angra (Terceira)
Touradas e Bezerradas
Sortes e magias lunares
Cavalhadas (S. Miguel)